12.10.2026

Setores: Agroalimentar

Campo Legal | 16 – 30 setembro

 

Entidades portuguesas entre os participantes do projeto AGROSOCIAL PLUS – Ecossistemas Inovadores de Economia Social Agroalimentar

Nos dias 22 e 23 de setembro, em Córdoba, deu-se a reunião de arranque do projeto europeu AGROSOCIAL PLUS, o qual o Município do Fundão, a CONFAGRI, a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho) e a Odiana – Associação para o Desenvolvimento do Baixo Guadiana integram. O AGROSOCIAL PLUS é uma iniciativa de cooperação transfronteiriça entre Portugal e Espanha que pretende reforçar a inovação, a digitalização e a competitividade do setor agroalimentar, dando continuidade ao trabalho desenvolvido pelo projeto AGROSOCIAL.

Entre as principais ações previstas está a criação e dinamização de Living Labs (laboratórios vivos), ou espaços de demonstração, experimentação e transferência de tecnologias aplicadas ao setor agroalimentar. O projeto contempla também a criação de uma “escola transfronteiriça de alta direção para empresas de economia social”. A iniciativa prevê, igualmente, serviços de diagnóstico, aconselhamento e apoio à transformação digital das empresas. Prevê-se ainda o fomento de redes de networking, nomeadamente através da organização de feiras agroalimentares locais.

Com o AGROSOCIAL PLUS, a CIM Alto Minho pretende “reafirmar o compromisso com o desenvolvimento do sector agroalimentar, a economia social, a inovação e a cooperação transfronteiriça enquanto instrumentos fundamentais para promover o emprego e contribuir para a coesão e a sustentabilidade dos territórios rurais”.

Paralelamente, a CONFAGRI acredita que o projeto irá criar oportunidades para facilitar a transição geracional e otimizar recursos através de modelos de gestão cooperativa.

Para a Odiana, a participação pretende aproximar o Baixo Guadiana de novas ferramentas, conhecimento e oportunidades nas áreas da inovação, capacitação e valorização dos recursos locais.

 

Município de Castelo Branco investe 180 mil euros no fortalecimento do setor agroalimentar

O Município de Castelo Branco celebrou, no dia 24 de setembro, um protocolo de apoio financeiro com a InovCluster – Associação do Cluster Agroindustrial do Centro, no valor de 180 mil euros. O acordo visa apoiar, ao longo de 2026, iniciativas destinadas à dinamização, inovação, internacionalização e competitividade do setor agroalimentar do concelho.

O protocolo foi assinado pelo Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Martins Rodrigues, e, em representação da direção da InovCluster, pelo Vice-Presidente João José de Almeida Vilela e pelo vogal João Pedro Ramos Lourenço.

O financiamento municipal permitirá à associação concretizar o seu plano de atividades, através de uma intervenção direta junto das empresas do concelho e da implementação de iniciativas focadas na valorização dos produtos endógenos e no reforço da economia regional.

Entre as ações previstas encontram-se a promoção de novos mercados e a criação de oportunidades de negócio no plano internacional. O programa contempla igualmente o incentivo ao desenvolvimento de novos produtos e modelos de negócio, o apoio às empresas no acesso a fundos e sistemas de incentivo, bem como a qualificação dos recursos humanos ligados ao setor agroalimentar.

Para Leopoldo Martins Rodrigues, este investimento representa uma forma de reforçar a ligação do Município ao tecido produtivo local: “O apoio financeiro reforça o compromisso firme com o tecido produtivo local. A InovCluster tem sido um parceiro determinante na promoção da inovação e da competitividade das nossas empresas. Queremos continuar a capacitar os produtores da região, promovendo o que de melhor se faz em Castelo Branco e abrindo novas portas nos mercados internacionais.”

Com este protocolo, o Município pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido em parceria com a InovCluster, reforçando o apoio às empresas e produtores locais e contribuindo para a afirmação do setor agroalimentar como um dos pilares do desenvolvimento sustentável de Castelo Branco.

 

Calor e seca pressionam produção agrícola europeia em 2026

As condições meteorológicas registadas em 2026 estão a provocar impactos significativos na produção agrícola europeia, de acordo com uma análise divulgada, a 28 de setembro, pelo Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia.

O verão ficou marcado por temperaturas excecionalmente elevadas e por períodos prolongados de seca, sobretudo em várias regiões da Europa Ocidental e Central. A combinação de calor extremo e falta de precipitação afetou o desenvolvimento das culturas e antecipou a maturação de algumas produções. Em determinadas regiões, o milho atingiu a maturidade até três semanas mais cedo do que o habitual.

Face à média dos últimos cinco anos, o Centro Comum de Investigação estima reduções de 15% na produção de soja, 14% no milho verde, 8% no milho para grão, 7% na batata e 11% na beterraba sacarina. Em algumas das zonas mais afetadas, os prejuízos foram de tal dimensão que determinadas parcelas deixaram de apresentar condições economicamente viáveis para a colheita.

Também a atividade pecuária está a sentir os efeitos das condições meteorológicas adversas. A escassez de água e a degradação das pastagens reduziram a disponibilidade de alimento para os animais, enquanto a menor produção de milho verde contribuiu para uma maior escassez de forragens, tendo a situação aumentado a pressão sobre os produtores e, em algumas regiões, conduzido à redução dos efetivos pecuários.

O cenário traçado pela Comissão evidencia os desafios que as alterações das condições climáticas colocam à agricultura. A gestão eficiente da água, a monitorização das culturas e a adoção de medidas de adaptação assumem, neste contexto, uma importância crescente para reduzir os impactos de fenómenos meteorológicos extremos e reforçar a capacidade de resposta dos agricultores europeus.

 

O paradoxo na indústria agroalimentar italiana: o aumento da procura externa a par da diminuição do poder de compra interno

Na atualização agroalimentar de setembro, o centro de investigação Nomisma identificou que o crescimento da indústria agroalimentar italiana é atualmente sustentado pela procura externa, enquanto o poder de compra dos agregados familiares italianos voltou a diminuir.

O grupo descreveu as exportações como principal motor da expansão da indústria agroalimentar italiana, dando nota de que a recuperação da produção de alimentos e bebidas, na sua generalidade, continua frágil. O grupo enfatizou ainda o facto de as categorias das exportações alimentares italianas mais conhecidas, como os queijos DOP, os enchidos curados e a massa, continuarem a desempenhar um papel central como principais motores das vendas externas. O centro de investigação identificou ainda a importância direta do estabelecimento de acordos de comércio, no contexto mais amplo do impulso da União Europeia, para a criação de oportunidades para os exportadores agroalimentares italianos.

Segundo este centro, negociações e possíveis acordos com parceiros como o Mercosul, a Índia, a Austrália, a Indonésia e mais recentemente as Filipinas, são essenciais para os produtores italianos. O grupo realça que tal é especialmente relevante para os tipos de produtos com marca e indicação geográfica de que a indústria alimentar italiana depende fortemente em termos de margens e posicionamento internacional.

O instituto apontou ainda mudanças na política europeia que podem afetar a capacidade de um setor orientado para a exportação e que depende fortemente da visibilidade, da marca e do desenvolvimento de mercado fora de Itália, considerando a revisão profunda de que está a ser alvo a política de promoção agroalimentar da União, marcada por progressos na simplificação administrativa a par de uma redução dos recursos financeiros.

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