21.10.2025

Setores: Agroalimentar

Campo Legal | 1 – 15 outubro

 

Comissão Europeia aprova medidas de proteção para o setor agroalimentar europeu

A Comissão Europeia anunciou um conjunto de medidas de monitorização e salvaguardas destinadas a proteger o setor agroalimentar europeu, caso as importações originárias do Mercosul gerem impactos negativos no mercado interno.

Estas iniciativas visam principalmente reduzir a oposição de países como a França, que temem que a concorrência do Mercosul possa prejudicar a produção interna de carne bovina, aves e biocombustíveis, exigindo garantias adicionais antes de aprovar o acordo.

As medidas preveem um reforço na vigilância sobre produtos considerados sensíveis, como carne bovina, frango, arroz, mel, ovos e alho. Também será obrigatória a apresentação de relatórios semestrais pela Comissão Europeia, ao Parlamento e aos Estados-membros, avaliando o impacto dessas importações. Sempre que houver indícios de alterações no mercado, serão abertas investigações.

De acordo com o plano, o executivo comunitário investigará os casos em que os preços dos produtos importados forem pelo menos 10 % inferiores aos equivalentes europeus, ou ainda nos casos em que o volume de importações isentas de tarifas aumente mais de 10 % em relação ao ano anterior, com um prazo máximo para conclusão dessas investigações de quatro meses. Se for detetado um “dano grave” ao setor agrícola, a UE poderá fazer uma revisão das tarifas sobre os produtos afetados.

O pacto de livre-comércio entre a UE e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (Mercosul), que poderá criar uma zona de comércio livre com cerca de 700 milhões de pessoas, e está em processo de ratificação. Espera-se que sua aprovação ocorra até ao final de 2025, sob a presidência brasileira do Mercosul.

Segundo estimativas de Bruxelas, o acordo poderá permitir aos exportadores europeus economizar mais de 4 mil milhões de euros por ano em tarifas na América Latina.

 

União Europeia e Marrocos assinam novo acordo comercial

A União Europeia e Marrocos assinaram, a 2 de outubro de 2025, um novo acordo comercial em forma de Troca de Cartas, que altera o Acordo de Associação Euro-Mediterrânico em vigor desde 2000. Este novo entendimento visa regular a aplicação de tarifas preferenciais a produtos agrícolas provenientes do Saara Ocidental, desde que seja identificada a sua origem.

A decisão surge após o Tribunal de Justiça da União Europeia ter invalidado, em 2024, a extensão dessas preferências ao Saara Ocidental, por considerar que não havia garantias de consentimento do povo saharaui. Em resposta, o Conselho da União Europeia conferiu, em julho de 2025, mandato à Comissão Europeia para negociar um novo texto que respeitasse os princípios de autodeterminação e garantisse a transparência nas relações comerciais.

O novo acordo estabelece regras claras de rotulagem de origem e mecanismos de acompanhamento, permitindo que produtos das regiões de Laayoune-Sakia El Hamra e Dakhla-Oued Eddahab beneficiem das mesmas condições tarifárias preferenciais que os provenientes de outras áreas de Marrocos. Esta medida visa reforçar a transparência e a coerência jurídica nas relações comerciais entre a União Europeia e Marrocos, um parceiro estratégico para Portugal e para o setor agroalimentar europeu.

O acordo está ainda sujeito à ratificação pelos Estados-Membros da União Europeia e pelo Parlamento Europeu. Entretanto, a decisão tem sido alvo de críticas, que consideram a medida ilegal e em desconformidade com o direito internacional.

 

O futuro do setor agroalimentar europeu

A Comissão Europeia apresentou uma visão para o futuro da agricultura e da produção alimentar na União Europeia. O objetivo é estabelecer um sistema alimentar equitativo e competitivo, que ofereça alimentos acessíveis e sustentáveis para todos. Pretende-se apoiar os agricultores a enfrentar desafios como o aumento dos custos, as alterações climáticas e as disrupções nas cadeias de abastecimento, garantindo que a Europa continua a ser uma referência na produção alimentar.

A meta é construir um sistema agroalimentar mais robusto e inovador, que traga vantagens tanto para os agricultores quanto para os consumidores, e que contribua para alimentar o mundo de forma sustentável.

Este plano fundamenta-se nos resultados do diálogo estratégico sobre o futuro da agricultura na UE, propondo percursos essenciais para a política agroalimentar até 2040.

Para concretizar essa visão, a UE colaborará com agricultores, produtores de alimentos, e comunidades rurais, com o intuito de desenhar um futuro melhor para a agricultura e a alimentação na Europa. Será fomentada a confiança e ampliado o diálogo, adotando-se uma abordagem inclusiva e cooperativa que reflita as tradições e valores europeus.

A UE almeja tornar a agricultura uma carreira atrativa e apelativa para gerações futuras. Tal implica garantir rendimentos justos, maior apoio e uma cadeia alimentar fortalecida.

A UE apoiará o sistema agroalimentar para resistir a crises e aproveitar oportunidades, tornando-o mais diversificado, versátil e inovador. Assim, serão prioridades a segurança alimentar, a diversificação das cadeias de abastecimento e o estabelecimento de condições de concorrência mais justas.

A agricultura terá um papel central na transição para uma economia de baixo carbono. A UE estimulará práticas agrícolas sustentáveis que reduzam emissões, protejam recursos naturais e promovam a saúde dos solos. Também será criado um sistema voluntário de benchmark para que os agricultores possam medir e melhorar o seu desempenho.

A UE procura restabelecer a ligação entre as pessoas e os alimentos que consomem, bem como com os territórios e tradições que os definem. Serão apoiadas as regiões rurais, promovida a redução do desperdício alimentar e abordadas preocupações sociais como o bem-estar animal.

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