Rita Albuquerque vê mercado de M&A mais maduro, não em retração
A redução do número de fusões e aquisições realizadas em Portugal no primeiro semestre não é um sinal de retração, mas antes de transformação do mercado, defende Rita Albuquerque. As operações são agora maiores, mais complexas e conduzidas por investidores cada vez mais seletivos. “O número inferior de transações não se traduz numa retração, mas antes numa reconfiguração qualitativa, com maior concentração em transações de maior dimensão”, afirma ao Jornal de Negócios.
A sócia contratada da Abreu Advogados destaca também o maior dinamismo das operações de private equity e venture capital, que considera ser o reflexo de um mercado “mais maduro e exigente”. Esta evolução está a tornar as negociações mais intensas e sofisticadas. Perante um contexto económico e geopolítico incerto, compradores e vendedores procuram soluções mais criativas, recorrendo com maior frequência a mecanismos de ajustamento de preço, cláusulas de earn-out e coberturas de contingências.
“As negociações tornaram-se mais intensas e exigentes, no sentido de se encontrarem soluções mais criativas”, salienta Rita Albuquerque. Ao mesmo tempo, o crescente escrutínio no controlo de concentrações está a obrigar as partes a prepararem as operações com maior antecedência e cuidado, nomeadamente ao nível da estruturação dos acordos.
Para o segundo semestre, identifica razões para um otimismo prudente. O capital já comprometido pelos grandes investidores institucionais e fundos de private equity precisa de ser aplicado, refere, e o atual contexto oferece condições para que isso aconteça — embora com a seletividade e o rigor que estes investidores exigem.
A perspetiva traçada por Rita Albuquerque aponta, assim, para um mercado português de M&A com menos transações, mas operações de maior dimensão, mais sofisticadas e apoiadas numa análise de risco cada vez mais exigente.
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