A Comissão Europeia prepara-se para apresentar, no dia 4 de novembro, a estratégia europeia para o turismo sustentável, com o objetivo de equilibrar os impactos económicos, sociais e ambientais do turismo e, simultaneamente, reforçar a competitividade e a resiliência do setor.
A Europa é o principal destino turístico do mundo, gerando benefícios económicos significativos. Ainda assim, a União tem vindo a identificar o crescimento de um turismo desequilibrado, com a concentração geográfica e sazonal dos fluxos turísticos a representar um dos grandes desafios para o setor. A par disso, o “turismo excessivo” presente em alguns destinos cria maior pressão sobre as infraestruturas e os recursos, conduzindo ao aumento do stress hídrico, da poluição e a perda de biodiversidade.
A iniciativa de criar uma estratégia europeia não vinculativa para o turismo sustentável surgiu no Programa de trabalho da Comissão para 2026. Com o intuito de dialogar com as partes interessados no setor, em meados de 2025, a Comissão lançou uma consulta pública dirigida ao ecossistema do turismo europeu.
A futura estratégia surge no seguimento de iniciativas anteriores como o Caminho de Transição do Turismo, publicado pela Comissão em fevereiro de 2022, e a Agenda Europeia para o Turismo 2030, resultado da adoção de conclusões pelo Conselho em dezembro do mesmo ano.
Em 26 de março de 2026, a Comissão dos Transportes e do Turismo (TRAN) do Parlamento Europeu aprovou um relatório de iniciativa própria sobre o tema, que foi posteriormente aprovado como resolução do Parlamento Europeu em 28 de abril de 2026.
A resolução do Parlamento destaca o reforço da conectividade e o seu papel como crucial para o turismo sustentável e para o desenvolvimento regional, enfatizando a importância de garantir um sistema de transportes acessível para expandir os destinos e para a criação de oportunidades em regiões remotas.
O Conselho adotou conclusões em 28 de maio de 2026, estabelecendo orientações estratégicas no sentido de uma maior sustentabilidade do setor, do reforço da participação da comunidade e do respeito pela equidade social. A par do realçado pelo Parlamento, o Conselho notou ainda a necessidade de criar uma mobilidade multimodal.
No que diz respeito às empresas, as conclusões afirmam que é necessário apoio para a competitividade a longo prazo do setor e que o emprego de qualidade e o desenvolvimento de competências são fundamentais. Para além disso, salienta-se que a resiliência e a preparação para situações de crise, bem como a atenuação dos efeitos das tensões geopolíticas e das alterações climáticas, são essenciais.
Apesar de não ter poder legislativo direto sobre o turismo, a UE planeia exercer a sua influência em setores relacionados. Os elementos-chave da estratégia para 2026, considerando as conclusões do Conselho, deverão incluir a aceleração da transição ecológica, procurando a redução das emissões e a gestão dos impactos do turismo nas comunidades locais, e a digitalização, com o reforço das PME do setor do turismo através de ferramentas digitais. Prevê-se ainda que a escassez de mão-de-obra e o planeamento e gestão de crises sejam igualmente tratados, com o objetivo de robustecer o setor turístico.