No dia 23 de setembro, a Comissão Europeia deverá adotar uma proposta legislativa relativa à disponibilidade de sucata de alumínio na UE, com o objetivo de reduzir dependências na cadeia de abastecimento deste material e apoiar a competitividade da indústria europeia.
A sucata de alumínio é uma matéria-prima essencial para produzir alumínio reciclado. A sua utilização permite reduzir o consumo de energia e as emissões associadas à produção industrial, sendo particularmente relevante para setores como as energias renováveis, os veículos elétricos, a construção, a embalagem e a indústria aeroespacial.
A preocupação da Comissão prende-se sobretudo com o aumento das exportações e dos preços. Em 2024, as exportações europeias de sucata de alumínio atingiram 1,2 milhões de toneladas, mais 66% do que em 2014 e mais 50% do que em 2019. Segundo a Comissão, os preços aumentaram quase 80% desde 2019, pressionando as margens dos produtores europeus que usam este material como insumo.
Bruxelas está, por isso, a avaliar medidas comerciais que permitam assegurar maior disponibilidade de sucata de alumínio na UE. Entre as opções discutidas estão instrumentos que podem tornar menos atrativa a exportação para países terceiros ou limitar determinados volumes de saída, procurando manter mais material disponível para a indústria europeia.
O tema é sensível porque nem toda a sucata de alumínio tem o mesmo valor ou a mesma utilização. Há resíduos mais limpos e fáceis de reaproveitar, como certos restos industriais, e materiais mistos ou contaminados, provenientes, por exemplo, de veículos em fim de vida, equipamentos elétricos, obras de demolição ou resíduos domésticos. Uma medida pensada para garantir abastecimento poderá ter efeitos distintos sobre produtores, recicladores e empresas que recolhem e tratam estes materiais.
Para a cadeia europeia do alumínio, a proposta poderá ter impacto direto na disponibilidade de matéria-prima reciclada, nos custos de produção e nos incentivos ao investimento em reciclagem. A UE pretende equilibrar segurança de abastecimento, descarbonização industrial e viabilidade económica da reciclagem.